O Maior Medo

Qual o teu maior medo?

Apanhado completamente desprevenido, fiquei sem saber o que responder. Por não o saber realmente, ou pelo menos sem antes pensar sobre o assunto, e pela surpresa de me aperceber que raramente penso a sério sobre isso. Calha às vezes, quando a insónia me obriga a vaguear por um inúmero e infindável mundo de assuntos completamente aleatórios e por vezes sem nexo nenhum. Mas o cansaço e a vontade de dormir fazem parecer tudo pior

Tanto os receios como os medos, mudam com o tempo e com a evolução do próprio que o acompanha. O meu maior medo hoje pode não ser o mesmo amanhã.

O meu maior medo já foi um medo de mim próprio. De me tornar um ser macabro e insensível. Mas são tempos idos e receios passados. Talvez para uma próxima reflexão.

A morte? Penso não ter medo da morte em si, mas da forma como ela me chegará. Por mais que estejamos “preparados” nunca o estamos realmente quando o momento chega. Somos sempre apanhados desprevenidos. Isso de não saber se amanhã acordo tem o seu receio associado. Saber que hoje seria o meu último dia de vida, talvez mudasse a minha atitude sobre algumas coisas e pessoas mas tento viver da melhor maneira possível, comigo e com os outros, de forma a não ter me preocupar com isso.

Julgo que só temos uma real perceção do nosso medo, quando fazemos uma introspecção profunda sobre o mesmo ou quando exista uma possibilidade real de ser confortado com o mesmo.

Tenho medo da solidão. Não de ficar sozinho; de estar sozinho. A solidão pura, sabes? O ser completamente posto de parte, ignorado. Tão isolado como não ter ninguém com quem partilhar coisa alguma. Isso mete medo. Mas acho que não é ainda o meu maior medo.

Perder alguém que me é próximo. Isso assusta-me muito. Felizmente até hoje não sei qual é a sensação, a dor, a magoa e nostalgia dessa perda (espero demorar a descobrir). Vejo a dor que provoca em pessoas que já passaram por essa perda e nem sei bem como as confortar. Naquele momento não há conforto possível.
Não sei sequer como irei reagir quando acontecer. Mas só o pensar que este ou aquele familiar/amigo próximo, amanhã já cá não está angustia-me. Morro interiormente na possibilidade de o meu filho ou a minha mulher partirem. Até tremo só de estar a pensar nisso. Isso sim, é medo real.

Sei que estou a divagar, mas este assunto exige reflexão. Exige que pare e pense com uma seriedade que não gosto de ter sobre estes temas.

O inferno. Sei que possivelmente te cause estranheza esta resposta, por não acreditares; achares um mito; chantagem usada para assustar as criancinhas para que se portem bem. Mas tanto quanto a minha fé o permite ter a certeza, é bem real. A ausência de Deus e tudo o que essa ausência implica. Uma infelicidade, lamentação, dor exponenciada até ao infinito.
E tudo isto eternamente. Para sempre. Um sempre real, que não tem fim, percebes? Esse sempre que não temos capacidade para imaginar. Pensar no eterno é-me impossível, fico zonzo só de tentar. Aperta-me o peito ponderar esta possibilidade. Um verdadeiro desassossego.

É estupido porque que é algo que só de mim depende, mas, porra, pensando nisso, disto sim tenho verdadeiro receio e medo.

JPVG

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