Conto de Natal

À luz das estrelas vive um homem,
Considerando-se um nómada sortudo,
Por fixo sítio não ter para dormir,
Sobrevivendo da livre generosidade,
Daqueles que vivem e passam na cidade,
Feliz por estar vivo e dispor o que comer,
Banqueteando-se com o que outro não quer,

No brilho das estrelas sonha um homem
Bom humor, alegre, descomunal coração
Mas há quem o olhe como aberração,
Por estar constantemente em farrapos,
Não sabendo eles, que sempre oferece,
A outros os seus melhores trapos,

No frio das estrelas passeia um homem,
Sapatos rotos, um de cada par,
Gastos por os escondidos segredos,
Da bela metrópole explorar.
Quando cansado, pousa a mochila,  pára,
Sereno, de olhar profundo, fica a azáfama
De todos os que o ignoram a observar

Ao abrigo das estrelas descansa um homem,
Com a excelsitude de um presépio admirado,
Tira do fundo do bolso a lata de comida,
Que para a ocasião havia guardado.
Sentiu na sua direção um olhar esfomeado,
Grato por só não estar, nesta festiva estação
Partilha de coração cheio esta especial refeição.

    JPVG

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