O Tempo

Distraídos, nos esbofeteias de repente,
Com o ontem que passado já o é, 
Com o agora que já é presente!
Com o amanhã, futuro breve, em mente
Veloz, quando algo de bom acontece,
Demorado, quando não nos apetece;
Parece que se diverte, em nada nos obedece!
Nós que te perdemos, sempre que mandriamos,
Tu que nos abandonas, quando mais de ti precisamos!
Porque é tão curto o dia?
Passa por nós sem que lhe apreciemos a melodia.
E a noite tão aguardada?
Para que descansemos, para que não se passe nada.
Deitados ansiamos por um, acordados o outro desejamos,
Indecisos, nunca o aproveitamos, apenas com ele deambulamos
Porque não parar por um instante?
Para pensar, comtemplar, amar, viver…
Sem ficar neste teimoso rodopio gritante!
Sem que surjas constantemente, atrás a correr!
Durante séculos que te pensamos controlar,
Mas a verdade és tu que finges deixar-te manipular!
Precisar, não queremos, mas de ti dependemos! 
Contigo organizamos tudo o que fazemos;
Aos teus propósitos sempre nos ajustamos, 
Pois a ti ninguém te diz o que fazer,
Vagueando pelo mundo a teu belo prazer!
Saras feridas, corações, pessoas,relações,
Mudas anos, estações com o teu impacto,
Fazes parte da evolução, mas permaneces intacto,
Deixando meras recordações, numa memória fragmentada,
De uma existência vivida, de uma narrativa passada…
E quando sossegados estamos,
Neste desassossego que é a vida,
Vens tu, silenciosamente,
E pregas-nos uma partida!

                                                                                                                                                                    JPVG 

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