Deixai-o!

Deixai-o estar, se feliz assim o é!
Na nossa indiferença, acomodados,
Declaramos nós, com ditoso altruísmo!
Enquanto outros a passos largos,
Encurtam o caminho para o abismo,

Bem e mal? Certo, errado? Verdade?
Não somos nós, que de certeza o definimos,
É o que é!  Já o era, mesmo antes de existirmos,
Sem se subjugar às inclinações do presente,
Perpetuando no tempo inequivocamente.

Amor, igualdade, escolha, liberdade.
Cada qual com sua fachada perante a verdade
Conscientemente ignorando ou inócuos ignorantes
Existindo na incongruente e estruturada mentira,
Que lhes convém e dela ninguém os tira,

Deixai-o, que a ninguém incomoda.
Hoje não nos atinge, mas o amanhã não demorar,
(in)Direcatamente, boa ou má, qualquer ideia, acção
Não morrendo, neste perverso mundo, fica a marinar,
Repercutindo dia a dia, até a sua total assimilação,

Julgar, não é dever nosso,
Primeiramente, amor e justa compreensão
Mas o sincero amor e pelo o outro, desassossego,
Implica por vezes uma audaz chamada de atenção,
Que os respeitos humanos nunca podem fazer cego

A felicidade tem uma natureza,
Que por caprichos, modas, desejos,
Pode ser manipulada e mascarada
Mas só não vê, quem o não quer com clareza,
Nunca a sua essência é ambígua ou adulterada

Não traz nunca a ninguém a felicidade,
Esse cínico daltonismo de quem, sem logica,
Distorce a realidade para rescrever verdade,
Apenas os próprios e a nós enganamos,
Quando isso é deveras aquilo que achamos

Deixai-o estar que é feliz assim.
Fartos da nossa atenção e tempo gastar
Acreditar, que há de, para a realidade acordar,
Enquanto cá dentro sabemos que ao desistir,
Estamos, lentamente, a deixa-lo matar,

Cada um sabe de si,
Cada um é livre de fazer o que bem entender,
Mas nem tudo o que fazemos, o deveria ser.

A felicidade tão-só é atingida,
Quando alguém, enquanto pessoa se realiza
Não quando a própria satisfação a idealiza

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