Figuras Publicas

Em que estás a pensar?
Deparamo-nos logo, com esta tentativa de invadir o que nos é mais intimo, ao abrir o facebook. Mas a realidade é que esta “invasão” é cada vez mais rotineira e menos estranha.

Hoje em dia preferimos a publicidade. A publicidade a um eu personalizado.

Tendemos sempre a exibir o melhor ou somente o que desejamos, seja para impressionar ou para alimentar o ego. Tendemos a mostrar pouco de nós. Apenas uma faceta. Mas até isso já parece demais.

É demasiado o que hoje em dia tornamos publico.

É tanto que a linha entre vida publica e privada, se o permitirmos, é cada vez mais ténue. É ao mesmo tempo espetacular e assustador que com acedendo a umas quantas consiga saber onde, porquê, e com quem, esteve tal pessoa.

As figuras publicas tal e qual como as conhecíamos já não existem. Basta uns segundos pelas redes sociais para sermos bombardeados com fotos, e como se isso não chegasse vídeos, a mostrar desde o sapato novo ao que comeu na pausa da tarde. Há quem leve a termo literal: “Se não está nas redes sociais é porque não aconteceu!” como se fosse necessário qualquer tipo de aprovação geral para tudo o que se faz.

Verdade que hoje em dia “figura publica” só não o é quem não o quer. Existem as que são pagas (ou não) para se exporem, ou porque é um óptimo meio de publicidade e o negocio assim o exige e depois a quem se exponha porque é o “normal”, porque todos o fazem.

Hoje em dia expomo-nos em demasia. A nós, ao nosso corpo, à nossa vida, e aos outros. Expomo-nos porque queremos mostrar-nos; porque temos necessidade; porque faz parte. Expomo-nos para que gostem de nós (ou pelo menos da imagem que passamos de nós mesmos). Expomo-nos porque todos o fazem, porque é moda. Porque sim e porque não; por tudo e por nada.

Expomo-nos em demasia, por tão pouco.

Quase que melhor conhece o que fazemos quem nos segue nas redes sociais do quem esta dia a dia a nosso lado. Aquilo que antigamente era privado e pessoal hoje sabe-o facilmente quem quer. É mais fácil publicar na net do que ter o trabalho de estar e contar as coisas pessoalmente.  Perde-se, a intriga, a novidade, o convívio e a genuína partilha entre amigos e conhecidos, que quase sempre sabem as coisas por antecipação de uma qualquer post.

A partilha, do nosso, do que nos é pessoal, não é boa quando despropositada ou em excesso. Quando sem sentido. Tudo em excesso, tirando o amor, faz mal.

Partilha antes porque vives e não vivas para partilhar. A nossa privacidade é algo bom que devemos manter e preservar, arriscando a que com ela percamos também a nossa individualidade.

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